Apesar de toda euforia e alegria que envolve uma gravidez, somente as futuras mamães sabem dos medos e preocupações que envolve esse momento único em nossas vidas. E lendo um dos blogs que sigo, me deparei com um texto que traduziu perfeitamente esses sentimentos que vivenciamos e por isso irei postá-lo aqui no meu espaço.
Em toda parte a imagem de uma mãe com um filho emociona: o olhar, os gestos. Por alguma razão nosso coração sabe que ali está uma relação profunda, de entrega e servidão. Um amor profundo. Mas antes de ser mãe, de verdade, não sabemos nada o que significa realmente ser.
Não são as listrinhas do exame de farmácia, nem ouvir o coração bater que faz a gente se sentir Mãe. Nem o barrigão que cresce.
Tudo é uma ilusão, projetada em sonhos alheios, em mitos, em propagandas. A gente sorri amarelo e algumas vezes não acha nada belo ou confortável o estado de gestante. Eu amei, mas não nasci mãe naquele instante.
Minha ficha do que poderia significar “ser mãe” caiu quando estava com 34 semanas, depois do meu chá de bebê. Eu tinha um plano de saúde que eu pagava quase 300 reais por mês. Um ginecologista que me atendia desde a adolescência. Meu marido morava em Belo Horizonte. Eu tinha medo de parir longe da minha mãe. Tinha medo de não saber o que fazer com um recém nascido nos braços. Tinha medo de afogá-lo, de não saber quando estava sujo. Não sabia como dar de mamar. Eu nunca tinha segurado um recém-nascido no colo. Sempre os achei estranhos, moles. Tinha medo de sua fragilidade. Tinha medo da minha fragilidade.
Eu sabia que queria um parto natural mas demorei para decidir por parir em casa. A princípio teria uma doula que ficaria comigo até o máximo possível na casa dos meus pais e depois iria para o Hospital.
Quando falei dos meus planos com o meu pai, durante o chá de bebe, ele me disse: assim que você tiver o primeiro sintoma, querendo ou não, te coloco no carro e você vai para o hospital. Na minha casa as regras são minhas e se você quiser arriscar a vida do seu filho que faça sozinha.
Eu me lembro de ter ficado com esta afirmação latejante durante todo o evento. Aliás, o chá de bebê foi desesperador uma vez que todos faziam apologia a cesárea, ao leite artificial e aos perigos do parto normal. Fiquei com um choro entalado, como se visse que meu sonho era, de fato, um pesadelo e incompatível com a realidade. Eu estava no meu limite: ou mergulhava de vez no mundo mamífero, ou seria mais uma vítima do sistema. Esse choro explodiu em um momento de tristeza, medo e agonia.
Chorei abraçada com meu marido, compulsivamente, falando de como seria difícil ele chegar na hora do parto, de como seria ruim ficarmos tanto tempo naquela casa pequena, com a palpitaria da minha mãe. Ao mesmo tempo eu pensava: mas eu não sei nada de bebê. Não sei se choram de fome ou sono, não sei a hora de trocar a fralda.
Eu não tinha lido nada sobre cuidados com o bebê. Já estava lendo sobre parto, mas e sobre o neném! Putz…
Foi então que fiz uma brincadeira que gosto muito: abri um livro em uma página qualquer. Peguei um livro de Siddha Yoga (caminho espiritual que sigo) e a história era sobre onde Deus ficaria escondido. Em resumo Deus estaria dentro do coração de todo mundo.
Senti uma força sem tamanho, uma certeza de que eu saberia tudo sobre aquele bebe se ouvisse meu coração. E meu coração gritou: vá para tua casa. E naquele dia, naquele instante disse para meu marido: quero ter meu filho em Belo Horizonte.
Mas que loucura: longe da família, sem plano de saúde. Meu plano aceitaria reembolso no caso de agendar a cesárea. Caso contrário não.
Foi então que conheci o Hospital Sofia Feldman. Foi então que soube da possibilidade de parir em casa. Eu fui, com 37 semanas, ficar bem longe do mundo conhecido e opressor para escrever a minha história de maternagem.
Ali morria a filha, naquele abraço desesperado e sem compreensão da minha mãe que me via partir. Me lembro da tristeza de empacotar minhas coisas e deixar o passado. Ali morria a solteira. Ali nascia a esposa. O cordão foi rompido para eu estabelecer uma ligação profunda com aquele novo ser.
Na contração, no choro, na dor, no amor infinito, me senti, mãe.
Quando eu nasci minha mãe tinha 18 anos. Minha avó ficava o tempo todo comigo (foi a primeira pessoa que me segurou no colo, uma vez que minha mãe estava passando mal da cesárea). E ela só me entregava para ser amamentada. Com 4 meses, já desmamada, eu era filha da minha avó.
Me bateu o medo de reviver isso, medo maior, bem maior do que não saber cuidar do meu filho.E no fim, depois do meu parto natural, com o cordão conectado, dando de mamar para ele, eu vi que tudo que ele precisava era de mim. Nunca li um livro sequer sobre cuidados com RN.
Eu acordava alguns segundos antes dele despertar. Misteriosamente, sabia se chorava de fome, se estava molhado ou com coco. Estava no silêncio da palpitaria, apenas escutando a força do meu instinto com o amor do meu coração.
E hoje seu que só pude viver isso porque nasci como mãe, por ter tido a coragem de assumir as responsabilidades da minha vida.
Essa história mudou a minha vida. E eu quem nada sabia, quem diria?: até tenho um blog que fala sobre maternagem…
E você, quando se sentiu mãe?
Texto retirado do blog mamífera
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